segunda-feira, 15 de abril de 2013

FATOS - Noticias da Época - 31.12.1968: "DESABAMENTO DE FAVELA CAUSA DEZENAS DE MORTES NO RIO"


"MORADOR AFIRMA QUE PERIGO NÃO ERA RECENTE"

"Estima-se em 60 no número de vítimas fatais da tragédia ocorrida anteontem no Rio de Janeiro. Era manhã de domingo (29) e muita gente ainda dormia quando parte do Morro da Favela, na zona central da ex-capital federal, desabou. Mais de 20 barracos (praticamente pendurados a 100 metros de altura) rolaram ribanceira abaixo e foram esmagados com seus moradores pelas enormes pedras.


 (A linha branca mostra a parte que despencou. O deslisamento fez sumir o "caminho" que separava o grupo de barracos do precipício)



Continuam as buscas (que ainda demorarão mais de uma semana) aos corpos soterrados pela terra e gigantescas pedras, algumas com mais de 10 metros de altura. Até agora apenas 7 corpos (4 crianças) foram recolhidos dos escombros. A situação do terreno continua bem instável, com ameaça de novos desabamentos. 


 (Muitos barracos ficaram à beira do abismo e foram interditados)


Um numero muito grande de  pessoas retornaram às suas moradias (quase 200) desrespeitando a interdição feita pelas autoridades.
Conforme levantamento de 1967, o Morro da Favela tem cerca de 2.500 barracos e quase 10 mil habitantes. Foi a primeira favela do país e existe desde 1.897.


 (por pouco as pedras não alcançam um conjunto habitacional no sopé do morro)



Especula-se que as explosões em uma pedreira na encosta do morro tenham causado o desmoronamento. Mas ainda é cedo para se conhecer os reais fatores causadores da tragédia.
A perícia somente poderá avançar após a remoção dos corpos e das toneladas de material."


(lá embaixo, a busca aos corpos)


Outros acontecimentos das décadas de 50 e 60  AQUI.

Um comentário:

Paulo Ribeiro disse...

Eu tinha 12 anos e vi essa tragédia. Era uma manha de domingo., minha casa era na Rua da America em Santo Cristo e dava fundos pra pedreira. Eu acabara de escovar os dentes pra tomar cafe. Quando olhei pra predeira vi a enorme pedra virar de frente escutei o estrondo seguido de um intenso poeirame que cobriu toda extensão. Nunca esqueci aquele dia. Esta gravado no meu cerebro ate hoje. Foi terrível.